Prefácio - Ricardo Cravo Albin



PREFÁCIOS E POSFÁCIOS


PREFÁCIO DO LIVRO "O CAVALO DO CÃO",
por RICARDO CRAVO ALBIN



Quando as lendas se misturam com verdades, quando a história se funde com o misticismo – mesmo se forem aparentemente irreconciliáveis, tem tese – quando o esoterismo comete a audácia de nomear vultos históricos (passados e presentes) e ainda ousa fazer previsões para o Brasil em breve futuro, tudo isso configura e confere sedução a este Cavalo do Cão.

Debrucei-me sobre copiosa narrativa – como que psicografada, por vezes – durante um feriado, modorrento e me fui deixando levar pelo fascínio dos seus personagens.  Que, nem sei por que, intuo verdadeiros, apesar da minha formação ainda materialista insistir e que sejam eles não apenas fictícios, mas até absurdamente delirantes.

Josy Garcia inspirou-se numa estranha confluência de coincidências (coincidências?) para escrever uma contundente história de amor, mantida por dois guerreiros, duas figuras místicas do Maranhão e Pernambuco, que definiram seus personagens, ao tempo da odisséia de Zumbi dos Palmares e do seu  heróico quilombo, o meio homem, meio espírito Zé do Mar, o Encantado e sua amada Ana Ferro.

A primeira parte do livro trata do encontro dos dois amantes e da brava morte de Ana, filha de holandês, guerreando ao lado dos quilombolas e de Maurício de Nassau, contra os invasores portugueses.

Como pano de fundo, a autora, nos dá uma convincente reconstrução histórica do Brasil no século XVII, especialmente dramática em Pernambuco, desfilando ainda figuras famosas da época.

O envolvimento mágico da lenda continua na segunda parte do romance, só que transposto para o Rio de Janeiro dos nossos dias, quando os espíritos dos amantes setecentistas se apossam de dois jovens, relacionados à jovem autora que, inclusive, também entra como personagem, ou seja, a narradora do livro.

De imediato, pensei que a autora deve ter, desde sempre, todos seus mecanismos psíquicos imbuídos de esoterismo e espiritismo.   Ledo engano.  Josy Garcia assegura ter sido sempre agnóstica, até lidar com os estranhos fenômenos narrados aqui, mesmo porque sua formação de engenheira química a levaria, quer quisesse ou não, a um certo rigor científico.  Josy documentou tais fenômenos, gravando-os, fotografando-os e filmando-os.

Josy narra não só a ardente história de amor começada no século XVII e continuada no Rio de hoje.  Faz também na segunda parte do livro outro substancioso pano de fundo, em que teoriza sobre esoterismo, reencarnação, encantos e encantados, entidades mediúnicas, política, meio-ambiente (efeito estufa)  e futurologia.  E o mistério, o profundo mistério, do tempo passando, pessoas morrendo, pessoas nascendo – e tudo mudando.

Rio de Janeiro – Ricardo Cravo Albin – Jornalista e Escritor

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