Tombamento do Acais

Fonte: Imagem cedida pelo pesquisador Sandro Guimarães
SÍTIO DO ACAIS EM ALHANDRA
CONSELHO DO IPHAEP APROVA O PRIMEIRO TOMBAMENTO SOB A GUARDA DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRO-BRASILEIRA
Neste dia 30 de setembro de 2009, às 15 horas, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba - IPHAEP, o Conselho Deliberativo do IPHAEP aprovou POR UNANIMIDADE o TOMBAMENTO do SÍTIO DO ACAIS, localizado no município de ALHANDRA.
A decisão é considerada histórica em função de ser uma luta travada por umbandistas, JUREMEIROS e JUREMEIRAS, de todo o Brasil desde da década de 70 e por ser também o PRIMEIRO TOMBAMENTO sob a GUARDA DE RELIGIÕES DE MATRIZ AFRO-INDÍGENA-BRASILEIRA.
Histórico
O sítio do ACAIS, nos anos 30, foram habitados por antigos benzedores e juremeiros, Maria do Acais, Zezinho do Acais, Mestre Flósculo, visitados e solicitados por pessoas de todas as partes do mundo para real izarem trabalhos de cura. As terras foram passando de geração a geração na família até que foram vendidas. Desde então este sítio tem sido alvo de destruição da memória dos juremeiros e da cultura paraibana em sua essência e hoje se encontra em estado lamentável.
Juremeiros e Juremeiras de todo o Brasil, incluindo a Universidade Federal da Paraíba - UFPB, a Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN e a Universidade Estadual da Paraíba - UEPB vem constantemente lutando para que seja preservada a MEMÓRIA da Jurema Sagrada representada naquelas terras pelos pés de jurema, pelo memorial de Zezinho do Acais levantado às margens da estrada por juremeiros e juremeiras em manifestação o ano passado e, o túmulo do Mestre Flósculo que está localizado atrás da Igreja São João Batista, capela situada em frente às terras em que ficava o sítio.
A Federação Cultural Paraibana de Umbanda, Candomblé e Jurema - FCP UMCANJU, presidida por Pai Beto de Xangô promoveu, no dia 20 de março de 2009, a vitoriosa PASSEATA DA PAZ em Alhandra lutando pelo tombamento do sítio do Acais.
Na decisão do IPHAEP consta que a FCP UMCANJU, juntamente com a Sociedade Yorubana Teológica de Cultura Afro-brasileira serão os orgãos responsáveis pelo destino dado ao Sítio do Acais.
PAI BETO DE XANGÔ, que ainda este ano recebeu o título de GUARDIÃO DA JUREMA SAGRADA, de antemão avisa que os juremeiros e as juremeiras voltarão à Alhandra para realizar a PASSEATA DA VITÓRIA.

Iphaep aprova o tombamento do Sítio Acais, solo sagrado da Jurema
02-10-2009
O Conselho Deliberativo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba vivenciou, esta semana, um momento ímpar na sua história: a presença na sala de reuniões dos interessados no processo, a emoção dos conselheiros que avaliaram o parecer do relator Kleber Moreira, representante da APAN, e, ao final da sessão, os aplausos à decisão de aprovar, por unanimidade, o tombamento do Sítio Acais, localizado no município de Alhandra.
Na área, há décadas, a cultura indígena e afro brasileira - especialmente o ritual da jurema - vem resistindo à ação dos homens. “É a primeira vez que a Paraíba realiza um tombamento assim. É um momento histórico, com importância para todo o Brasil”, afirmou Damião Cavalcanti, diretor do IPHAEP. “Neste momento, o CONPEC presta homenagem às coisas mais antigas da humanidade: o espírito da religiosidade humana”.
Já o Pai Beto de Xangô, que é presidente da Federação Cultural Paraibana de Umbanda, Candomblé e Jurema, resumiu, em poucas palavras, o sentimento do grupo. “Não tenho muito o que falar, só que nossos antepassados agradecem este gesto e nós aproveitamos o momento para oferecer ao IPHAEP um presente sagrado: uma muda de jurema preta, muito mimosa, para ser plantada no jardim”, disse o líder espiritual, com os olhos marejados pelas lágrimas.
Em seguida, juremeiros e juremeiros fizeram uma louvação, com cânticos, palmas e o toque ritmado do tambor (ilú), que foi tocado por Netinho, 16 anos, há dois anos juremeiro e Filho de Pai de Santo. A cantoria terminou com uma toada de ensinamento, onde eles questionaram a necessidade de que haja o respeito a todas as crenças religiosas e evocaram os sentimentos de paz, amor, luz e proteção.
Secom - PB

Sítio Acais fica em Alhandra (PB)
02-10-2009
O Sítio Acais está localizado a oeste do município de Alhandra, às margens da antiga estrada João Pessoa/Recife. No local, além da vegetação jurema preta, que é característica da manifestação religiosa afro-indígena, encontram-se sítios de mangueiras e jaqueiras. Possui uma casa grande, um coreto e, na parte mais alta da fazenda, a capela de São João Batista. Sua última proprietária foi Maria das Dores, neta de Maria do Acais. Atualmente, o cenário é de destruição e devastação da área, restando apenas a capela e o túmulo do mestre Fósculo.
A sessão - A reunião do CONPEC começou, como de praxe, às 14h30. Inicialmente foi discutida a questão de um imóvel em Sousa. Em seguida, os conselheiros avaliaram o pedido de tombamento do Sítio Açaís, cujos interessados são a Sociedade Yorubana Teológica de Cultura Afro Brasileira (RJ) e Federação Cultural Paraibana de Umbanda, Candomblé e Jurema (PB).
O relator do processo, Kleber Mendonça, da APAN, explicou todo o desenrolar do processo, começando pela visita que fez ao local, acompanhado de outros dois conselheiros – Carlos Azevedo e Raglan Gondim –, onde ficou decidido que o polígono de tombamento foi demarcado pelo GPS.
Logo depois, ele leu seu relatório, favorável ao tombamento, justificando: “Diante dessa exposição, considero que a medida é inadiável e aponta para um novo marco da política de proteção e preservação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba – IPHAEP, assegurando garantias legais de proteção e reconhecendo a importância de um território da religiosidade afro-indígena”. Colocado em votação, o tombamento de Acais foi aprovado por unanimidade.
Secom - PB
