BRASIL MESTIÇO
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O livro Brasil Mestiço é resultado de um trabalho de 06 (seis anos) do professor e historiador Eduardo Fonseca Jr. que, com o apoio da Sociedade Yorubana Teológica de Cultura Afro-Brasileira, dedicou-se à pesquisa dos formadores da raça brasileira, e especificamente, a formação demográfica do Estado do Rio de Janeiro e do Estado de São Paulo na área litorânea do norte e sudeste de ambos os estados. Em sua tese conclusiva prova que, o tão enxovalhado Degredado Português não era um criminoso comum e sim um dissidente político ou vítima de intrigas palacianas, que o Indígena era uma raça linda e nunca foi antropólogo e que, o Negro era originário de uma civilização organizada, com mais de quatro mil anos. Portanto caem os mitos da origem Chula.
Há muito e com muita dificuldade, pesquisadores brasileiros tentam desvendar a nossa “pré-história”, apesar dos poucos recursos e incentivos. A região do litoral do Sudeste, privilegiada neste sentido, concentra vários “resquícios” dos primeiros brasileiros, os povos dos Sambaquis e indígenas dos primódios da existência do homem. O livro BRASIL MESTIÇO, Origens Raciais Brasileiras, justamente, tenta fazer um elo de ligação entre esses povos e nossos ancestrais indígenas e a posterior contribuição do homem branco e a introdução da raça e da cultura africana em ambos os estados.
Surpreendente foi para esse trabalho descobrir que há pelo menos 4500 anos, já existia uma sociedade organizada no Brasil pela existência dos Povos dos Sambaquis e que o nosso mais recente ancestral Sambaquiano descoberto está no SAMBAQUI DA TARIOBA, em Rio das Ostras, ao qual nomeamos de “PRIMUS” (primeiro e relativo).E descobrir que a múmia foi achada e levada na calada da noite para a Europa. Os sítios arqueológicos do litoral fluminense e paulista são ricos em informações sobre a nossa ancestralidade desde a separação dos continentes.
Já não seria fantástico pensar nesta nossa “pré-história”, se não pudermos imaginar que este “PRIMUS” é o ancestral parente próximo dos Tupinambás aqui encontrados pelos portugueses, que aqui já estava há 100 (cem) gerações com toda sua formação sócio-demográfica, divididos em tribos com organização própria. Ignorar estes fatos é querer rotular o Brasil como um país sem importância e seus habitantes um amontoado de antropóides conseqüentes de uma “maré baixa”.
Por isto e muito mais, somos a única ex-colônia que não fala o português com sotaque lusitano. Á ancestralidade Sambaquiana foi acrescentada à ancestralidade Tupinambá, e, a esta, a ancestralidade africana, juntamente com a ancestralidade dos colonos nestas últimas vinte e cinco gerações e assim produziu-se a raça brasileira, resultando num povo MESTIÇO. Isto porque o brasileiro tem pelo menos uma perna escrava... Ou indígena ou, ambas as origens!
Aprofundando as pesquisas sobre a mesma região, aos poucos se pode esboçar o que veio a ser o povoamento indígena e africano no nosso litoral, fruto essencialmente do tráfico “oficioso” e de aldeamentos indígenas promovido pelo homem branco. O trabalho aborda também um estudo etnológico, antropológico e estatístico, sobre todas as tribos que então habitavam o litoral brasileiro e que foram massacradas ou assimiladas pela raça branca e negra.
Não foi fácil para o invasor montar essa colônia. Foram necessários pelo menos 200 anos de perdas e ganhos com muitas mortes por todo o território para que os portugueses conseguissem uma pequena estabilidade no Brasil. O Tupinambá que enfrentou galhardamente o invasor português, dando-lhe combate, perdas e desespero durante 35 anos somente no litoral compreendido entre Ubatuba, SP e Macaé, RJ, é descrito neste livro, juntamente com as demais tribos litorâneas em todas a sua formação, hábitos, costumes e bravura.
Que não se tenha dúvidas de que muito da nossa história pode estar aqui no Rio de Janeiro, ou em Bertioga, à 3m. (três metros) de profundidade, bem ao lado de um moirão de cerca, ou numa praça ou quintal de Paraty, Cabo Frio, Barra de São João, Rio das Ostras, Macaé, Ubatuba, São Sebastião, Quissamã, Silva Jardim ou Casemiro de Abreu. Que não se duvide... Sob pena de vermos exploradores estrangeiros (como no passado), escavucarem seu quintal e achando uma múmia - como realmente aconteceu - possam levar estas preciosidades arqueológicas para seus museus na Europa. Por outro lado, milhares de africanos da realeza de várias etnias foram trazidas para o Brasil e aqui enfrentaram os escravocratas extrativistas - relação das tribos e estatísticas.
Estes são os nossos heróis e nossos ancestrais aos quais DEVEMOS O LUGAR CERTO E DIGNO
na nossa história.